domingo, 4 de setembro de 2011

PALAVRAS E EXPRESSÕES EXCLUSIVAS DO RIO GRANDE DO SUL


                                                                      Acrescentado em 2/6/2012
  
Atacar - Os gaúchos usam o verbo atacar também como sinônimo de defender. Assim, dizemos "o goleiro atacou a bola", "o peão atacou o boi". 

Bá - É uma interjeição que inicialmente denotava surpresa. Trata-se de uma redução de barbaridade (se pronuncia bárbaridade, com tonicidade na primeira sílaba). O primeiro termo era "mas que barbaridade", depois virou "mas bá" e finalmente bá. Hoje já não é mais interjeição, mas uma expressão idiomática usada no início dos assuntos, que quase sempre vem acompanhada do che (pronúncia bá tchê). Algumas pessoas escrevem bah. (Mais detalhes em http://migre.me/9kt2F)
Bodoque - Arma ou brinquedo que serve para arremessar pedra. O nome original vem do povo indígena que usava uma espécie de arco e tiras para jogar pedras. O bodoque gaúcho usa duas tiras de borracha amarradas nas extremidades de uma forquilha de madeira. A pedra é colocada em um pequeno pedaço de couro atado entre as duas pontas das tiras. O bodoque é chamado também de estilingue, funda ou atiradeira. Os dois últimos termos são usados mais para os tipos que não têm forquilha, como o utilizado por Davi para derrotar Golias.

Cobrador (de ônibus) - Em outras regiões, é trocador.
Deu pra ti - Significa que tu não estás com mais nada, não quero mais te ouvir. Essa expressão surgiu após a música dos irmãos Cleiton e Kledir, lançada en 1980 ("Deu pra ti, baixo astral, vou pra Porto Alegre. Tchau"). A gíria ficou ainda mais forte após o filme Deu Pra Ti Anos Setenta, dos cineastas gaúchos Nélson Nadotti e Giba Assis Brasil). 
Lancheria - Local onde se faz lanches. Lanchonete.
Lomba - Elevação em uma rua. É o mesmo que ladeira.
Bergamota ou vergamota – Citrus auratium, subespécie bergamia, fruta cítrica chamada em São Paulo de mexerica, de mimosa, no Paraná e laranja-cravo em estados do Nordeste. A origem do nome teria a ver com a cidade italiana de Bergamo. Deve ter vindo para o sul do Brasil e para o Uruguai com os imigrantes italianos . Esse é um tema que vou correr atrás para descobrir. O nome científico de outro tipo de bergamota chamada Montenegrina, plantada em Montenegro, no Vale do Caí é citrus deliciosa Tenore.
Cacetinho – É o pãozinho de 100g. Tem esse nome pela forma semelhante a um cacete pequeno, ou seja um pedaço de madeira. Na época em que o nome foi criado não havia tanta malícia como agora. A primeira ideia que vinha à cabeça quando se ouviam as palavras “pau” e “cacete” era um pedaço de madeira. Já hoje... Por isso, quem não é do Rio Grande do Sul acha muito estranho o nome cacetinho.
Capaz e bem capaz - Significa "não faço de maneira nenhuma ou 'é claro que não me ofendi com o que disseste". Exemplo: Capaz que vou assistir a esse show! É bem capaz que vou deixar de torcer pelo Guarany de Bagé". Não consegui descobrir a origem. Provavelmente é uma redução de "não tem a menor capacidade de eu fazer uma coisa dessas". Mais detalhes em http://migre.me/9kt2F
Chapeação - Conserto da lataria do veículo. No Rio e em alguns lugares esse serviço é chamado de lanternagem. Em outros, funilaria. O Google apresenta propaganda de chapeação em Santa Catarina e no Paraná, mas acho que são gaúchos que estão disseminando essa expressão pelo Brasil.
Chimia – Espécie de geleia, porém mais pastosa, feita com vários tipos de frutas. É mais uma contribuição da imigração alemã. O nome deriva do alemão schmier.
Fardamento – Time gaúcho não usa uniforme, mas fardamento. É herança dos tempos de guerra na antiga Província de São Pedro, em que os combatentes usavam fardas.
Frio de renguear cusco - Temperatura bem baixa. Expressão certamente surgiu quando alguém olhou para um cachorrinho S.R.D, o chamado guaipeca sofrendo os efeitos do frio, que no Rio Grande do Sul pode atingir temperaturas negativas dependendo do lugar. 
Lagartear - Ficar ao sol deitado ou sentado em gramado no inverno, sem fazer nada a não ser, geralmente, comer bergamota. A expressão deve ter surgido da observação do comportamento dos lagartos nos campos da campanha. 
Lindeiro - Limítrofe. É usado mais no Interior para se referir aos limites das terras ou terrenos.
Negrinho - É o docinho conhecido no país como brigadeiro.
Pandorga - Pipa, papagaio. Esse nome é usado também em Santa Catarina e Paraná.
Pechada - Colisão. É influência do espanhol: bater de pecho (peito), que vale também para carros. Fora do RS é chamada de batida, de bater. Batida, para os gaúchos, é a bebida feita com frutas espremidas em liquidificador. Em São Paulo e RJ é chamada de vitamina. Também chamam de batida a caipirinha.
Pila - É o equivalente a 1 real. O apelido surgiu em homenagem ao político Raul Pilla, do antigo PL (Partido Libertador), e se referia a 1 cruzeiro. "Passar nos pila" quer dizer vender por necessidade.
Pisar – Para o resto do país, pisar é pressionar com o pé. Para os gaúchos também é machucar. Por exemplo: Apertou o braço dela tão forte que acabou pisando ela.
Sinaleira – Equipamento para organizar o trânsito, sinalizando quem deve passar (luz verde), parar (vermelho) ou esperar (amarelo). Em São Paulo, é chamado de farol. No Rio é sinal.
Tchê – é uma expressão gaúcha de tratamento, usada para se referir pessoalmente a alguém ou como saudação. Como em todas as palavras com origens muito antigas, é difícil determinar exatamente qual é a verdadeira. Uma das versões é a de que seria um diminutivo da palavra latina Cealestius (que significa céu), em tempos anteriores a vinda dos europeus para cá. Os defensores dessa versão dizem que a palavra integraria uma frase do tipo “gente do céu, ou menino do céu” que os espanhóis, muito religiosos, teriam incorporado no falar. Depois, teriam abreviado o termo usando só a primeira sílaba de cealestius, pronunciada como tche. Com a descoberta da América, os espanhóis trouxeram a expressão para as colônias latino-americanas e, então os gaúchos, que moravam em terras muitas vezes misturadas com as dos uruguaios e argentinos, acabaram assimilando essa forma de falar. 

Trilegal - O termo surgiu em 1979, após o Internacional conquistar o título de tricampeão brasileiro invicto. Após o título, os colocados passaram a dizer, uns  para os outros: Tudo legal? Tá tudo trilegal. A gíria também ganhou força quando Cleiton e Kledir a incluíram na música Deu Pra Ti: "Vou pra Porto e bah, trilegal".
Viajar de mala e cuiaIr de mudança. A cuia de chimarrão dá essa ideia de ficar. A partir da década de 80, com a ida de repórteres gaúchos para jornais e tevês do centro do país, que passaram a usar esse termo em suas matérias, a expressão deixou de ser exclusividade do Rio Grande do Sul. Agora até nordestinos estão usando o termo. Deveriam dizer “viajar de mala e rede”.
Se no seu estado, o termo é diferente, entre nos comentários e nos conte.


* Para conhecer mais palavras e expressões gaúchas, vá até o post PARA ENTENDER ALGUMAS PALAVRAS DITAS NO ACAMPAMENTO FARROUPILHA, publicado em 17 de setembro de 2009

9 comentários:

Dalva Maria Ferreira disse...

Bela língua portuguesa, belo e imenso país o nosso, com seus múltiplos falares. Abraço!

Wendel disse...

Bom blog , pena que não tem domínio próprio , se não ia fazer mais sucesso

Gezilda Nunes disse...

Que legal, gostei muito de conhecer novo vocabulário!O curioso é que alguns termos são usados aqui no Acre com o mesmo significado.Por exemplo, cacetinho!Realmente, nosso País é surpreendente e maravilhoso.Temos a mesma nacionalidade e falamos uma linguagem bem diferente!

vidacuriosa disse...

Obrigado pelo comentário, Gezilda. Não tenho comprovações, mas o fato de haver palavras como essas no Acre pode ser resultado do grande número de migrantes gaúchos para esse belo Estado, que levaram até mesmo o amor por clubes do Rio Grande do Sul. Abrs

Rogerio disse...

O termo trilegal não surgiu em 1979 com o tricampeonato brasileiro conquistado pelo Inter. Sou de Pelotas e moro em Brasília desde de 1977 e quando aqui cheguei já usavamos o trilegal. Acho que o trilegal começou com o tricampeonato Mundial da Seleção Brasileira de Futebol em 1970.

vidacuriosa disse...

Boa obervação, Rogério, valeu. Talvez o título do Inter tenha reforçado e estim lado o uso do termo tri. Em Porto Alegre, o cartão magnético do ônibus é TRI, mas nada tem a ver com isso. É a sigla de Transporte Rodoviário Integrado.

Anônimo disse...

Otimo gostei

Anônimo disse...

Sim

Kurt Muller disse...

Concordo com Rogerio : Trilegal definitivamente era usado no alegre portinho já entre 73 e 77. Eu usava muito na época. Saí de Porto alegre em 77, eu trabalhava no ramo de Discos Vinil na época, assim sempre estávamos muito atualizados em termos de Gírias como por ex. as garotinhas que usavam calças jeans apertadíssimas até no tornozelo chamávamos de "Cocotinhas".

Kurt Albert Müller